Programar é ciência humana

Programar é uma atividade relacionada a computação, mais especificamente à criação de software, e sendo bem simplista, trata-se de traduzir o desejo humano em instruções para a máquina. Há algumas origens para a programação, a que afirmam ser a mais antiga é o de Heron de Alexandria, que utilizou programação análoga para controlar um teatro de fantoches. Gosto dessa história pois relaciona arte, criatividade e uma necessidade à origem da programação e resume um pouco da relação humana que existe nessa matéria “exata”. Criar código depende de muito do humano e o estado mental do mesmo, não tem como ligar o automático nesse processo, por isso eu quero mudar um pouco o tom técnico e abordar alguns problemas que afligem os desenvolvedores.

Adormeço com a idéia tola de querer ser diferente do que sou, ou de que não sou como queria ser. E de que faço tudo ao contrário.

Anne Frank

Recentemente tive uma experiência incrível de participar do JUG Tour Brasil 2019 em minha cidade que contou com a presença de Venkat Subramaniam e Bruno Souza, com aquelas dicas que você leva para vida toda. Em certo momento da palestra do Javaman ele colhe algumas perguntas dos participantes e responde como resolver aquelas questões, as perguntas tinham haver com carreira e como conseguir o sucesso, mas me chamou a atenção alguns participantes que perguntaram “…como administrar a ansiedade de aprender?” “…em nossa área a cada momento surge um assunto novo, como se manter competitivo?” “…o que estudar?…como não procrastinar objetivos?” Não lembro exatamente de todas as perguntas mas acho que não diferem muito disso, Bruno Souza deu dicas valiosíssimas (que me motivaram a reativar meu blog e a tomar as rédeas da minha carreira, mas isso fica pra outro post) e ajudou a todos naquele momento, e um tempo depois, eu fiquei lembrando que o que mais me chamou a atenção foi que pessoas de diferentes idades e experiências que tiveram as mesmas “angústias” e como eu me identifiquei com elas, afinal luto contra ansiedade e estresse a 2 anos.

Ciência exata só que não

Computação está intimamente ligada a área de exatas, lidamos com lógica, matemática, hardware … mas e as pessoas? Interação entre pessoas é extremamente importante (lembrando o Manifesto Ágil), a definição dos requisitos guiam o sucesso do software, bem como os fatores humanos, além disso, para traduzir os requisitos em código precisamos de técnica, concentração e criatividade e para uma pessoa alcançar esse estado ideal é necessário tranquilidade pessoal. No livro Codificador Limpo, tio Bob explica que não temos como desenvoler se tivermos algum problema pessoal em casa, o ideal é tentarmos resolver antes, mas quando o problema não é tão evidente? Hoje conheço desenvolvedores que sofrem com ansiedade, irritação, falta de motivação, preocupação excessiva e pouca concentração resultantes de fatores que não percebemos mas fazem parte do dia a dia.

No artigo Olá Devs, precisamos falar sobre estresse e ansiedade de Bernard de Luna ele apresenta e explica sobre os principais motivos que levam o profissional de software ao estress e como podemos lidar com eles. Destaco o esgotamento profissional, geralmente ligada a necessidade de estar atualizado com as últimas tecnologias, para isso além do que Bernard sugere indico ler o Cuidado pra não se perder no meio de tanta coisa pra estudar de Gabriel Ferreira e outro motivo é a famosa síndrome do impostor o qual o Gabs dá ótimos conselhos de como lidar em Já se sentiu um impostor? Eu também!.

Seja justo com você

Nosso cérebro é uma máquina complexa e sempre irá nos alertar para perigos, sejam reais ou não, ele tenta diminuir o ritmo de nosso raciocínio, buscando poupar energia para momentos de ameaça (como quando um tigre nos persegue). O perigo é quando os pensamentos se tornam preocupações, quando estudos viram ansiedade, quando falta de foco se torna procrastinação e quando tudo isso nos faz sermos os nossos piores críticos.

Seja justo com você mesmo, só você entende quais dificuldades você enfrenta. Você tem que entender o seu limite e até onde seu braço alcança, estude e se atualize, mas o mais importante é que tenha prazer com a vida, faça uma atividade que gosta e curta seu(s) filho(s) se tiver. Ser precavido é importante, mas não temos o controle do futuro, tome cuidado com preocupações “brotando” a todo momento, isso gera ansiedade, se já sofre com isso não se preocupe, existem técnicas (citadas no artigo de Bernard) que ajudam, para mim funciona criar uma lista do que devo fazer e ir riscando a medida que completo.

Não tenho pretensão de ser psicólogo ou algo parecido, esse pequeno artigo é uma tentativa de ajudar pessoas que passam pelos mesmos problemas que passei. Se quiser pode entrar em contato comigo para batermos um papo!

Um forte abraço!

Escrito em 8 Abril de 2019